Quanto tempo afinal pode caber dentro um mês? Quanta vida pode caber em um dia? Quantas tristezas e quanto aprendizado podem existir dentro de uma semana? Quanta alegria pode caber em um instante?
No último mês tive inúmeros sentimentos e todos eles novos. No último mês eu tive que fazer um manifesto no pior momento da vida e foi aí que tudo clareou - e começou a virar calmaria. Todas as segunda-feiras tenho aquela que será, na próxima semana, a última aula de todas as aulas que tive nesses seis anos de faculdade, a última do segundo curso que finalizo agora. É ela quem marca o fechamento de um ciclo imenso e extremamente importante da minha vida profissional e que, de algum modo, também me ajudou a dizer “adeus” a algumas coisas inimagináveis no meu lado pessoal.
O manifesto era individual e livre. Nós, alunos, poderíamos escolher o que melhor representasse o que sentíamos em relação à nós mesmos e ao que a aula nos proporcionou. Passei alguns dias pensando sobre o que fazer, porque eu não sou tão expressiva e, além disso, eu não canto, não danço bem e não sou teatral (infelizmente) - e as pessoas da minha aula são incrivelmente talentosas <3. Então, optei por fazer aquilo que eu considerava mais difícil e que estava me sufocando, optei por simplesmente falar.
Relembrando o que eu pude dizer e o sopro de alívio que senti naquele dia, compartilho aqui, o que (re)aprendi na marra nesse interminável mês de junho em três grandes marcos:
- A perda de um tio extremamente querido, de um jeito inesperado e trágico
Esse talvez tenha sido o momento mais difícil da minha até hoje. Senti um um vazio imenso, uma sensação de impotência e de injustiça tão grande, que pensei que ia explodir. Tive que ver coisas que eu não queria, tive que ajudar a resolver burocracias que só faziam o coração doer mais ainda, tive que ver minha família despedaçada. Foi horrível. Queria deixar registrado, por lembrança eterna, que o meu tio foi uma das melhores pessoas que conheci. Era só sorriso, trabalhava honestamente, não bebia, era apaziguador de brigar, era paizão, maridão e tiozão, vivia em paz e plenamente. Com a sua precoce partida, reaprendi à duras penas a força que carrego aqui no peito e que eu tinha esquecido que existia. Reaprendi que nunca sabemos o quanto gostamos de uma pessoa até ela ir embora. Reaprendi o valor da minha família e o valor da presença. Reaprendi a querer ser melhor, tanto quanto ele e a retomar a vontade de ser orgulho e de dar orgulho para aqueles que estão comigo o tempo inteiro.
2. A maior decepção pessoal da vida
Uma semana após o falecimento do meu tio, eu me senti sem chão e nesse momento, quando pensei que não tinha mais jeito de alguma coisa piorar, eu fui decepcionada por uma pessoa que era muito importante para mim. Senti meu coração ser partido de um jeito brusco e sem penas, me senti péssima e mais uma vez impotente. Muita dor acumulada em apenas duas semanas, duas perdas seguidas. Quem aguenta não é mesmo? O amor é bom, mas é esquisito. Cheguei a crer que ia me partir em mil pedaços, mas foi nesse momento que, de novo, reaprendi várias coisas. A minha família foi mais uma vez incrível: teve quem rezasse para que eu passasse por isso sem dor, teve quem destacasse todas as minhas qualidades e me mostrasse que eu fiz tudo o que eu podia, e teve também quem apenas me levasse para dar uma volta ou me trouxesse uns chocolates pra acalmar o coração. Foram pequenos gestos de grande conforto para alma. Devido a esse acontecimento, também reaprendi a ser feliz pela sorte que tenho de conhecer pessoas sensacionais e ter um bom bocado de amigos que voltaram a surgir de todas as partes para me ajudar e para reforçar o que minha família já vinha me falando: o meu lado bom. São eles também que têm me tirado de casa, me feito rir e me ajudado a ser cada vez mais a “Adelinda raio de sol” de antes. Quando eu ouvia algumas pessoas falarem que sentiam “#gratidão” por algo, eu não entendia. No entanto, com todos esses fatos, às vezes, quando paro um pouco para observar as pessoas que estão ao meu redor, sinto uma coisinha quente no coração e de repente me vem à cabeça “gratidããããão” hahaha. Reaprendi, então, o valor das minhas amizades.
3. A última aula real oficial
Sempre gostei muito de pessoas. Sempre achei incrível pensar que dentro de alguém existe um mundo novo e singular, cheio de histórias para conhecer. No entanto, há muito eu tinha perdido o interesse e, consequentemente, perdido o meu feeling para os sentimentos alheios. No início das aulas de “Comunicação e performance da presença” eu me sentia um pouco perdida, mas comecei a achar incrível o modo como os meus colegas de turma passaram a se apresentar: pessoas com várias histórias, com erros e acertos, e com muito para compartilhar. O maior choque para mim foi quando começaram os manifestos, pude ver o mundo daquelas pessoas sendo mostrados e, naquele momento, reaprendi a admirar e me preocupar com as pessoas. Me senti “Adélia” de novo, me sinto assim agora. Nessa última aula, depois de fazer o meu manifesto - esse que escrevo agora, e de assistir os dos meus colegas, lembrei de uma frase que conheci na primeira aula que tive no curso, uma frase que quando a ouvi há 6 anos atrás fazia todo o sentido e que há muito tinha se perdido, mas que agora voltou a visitar os meus pensamentos e que tem me dado inspiração para aprender e reaprender várias coisas nesses últimos dias: A VIDA É SONHO.
A VIDA É SONHO, e meu coração é grande e inquieto demais para deixar de ver o lado bom de tudo o que acontece. O mês de junho foi pior mês da minha vida no âmbito da tristeza e da decepção, mas foi melhor para o (re)aprendizado e para saber que eu não estou sozinha. A VIDA É SONHO e vou sempre levá-la do melhor modo possível pelo meu tio, pela minha família, por todos os meus amigos e por todos aqueles que fazem os meus dias serem luz e calmaria. Eu queria deixar aqui, para vocês, a minha florzinha da “gratidããããão” hahaha e o meu mais sincero OBRIGADA! <3
