quinta-feira, 29 de junho de 2017

MANIFESTO DO MANIFESTO: uma despedida do pior/melhor mês da minha vida

Quanto tempo afinal pode caber dentro um mês? Quanta vida pode caber em um dia? Quantas tristezas e quanto aprendizado podem existir dentro de uma semana? Quanta alegria pode caber em um instante?

No último mês tive inúmeros sentimentos e todos eles novos. No último mês eu tive que fazer um manifesto no pior momento da vida e foi aí que tudo clareou - e começou a virar calmaria. Todas as segunda-feiras tenho aquela que será, na próxima semana, a última aula de todas as aulas que tive nesses seis anos de faculdade, a última do segundo curso que finalizo agora. É ela quem marca o fechamento de um ciclo imenso e extremamente importante da minha vida profissional e que, de algum modo, também me ajudou a dizer “adeus” a algumas coisas inimagináveis no meu lado pessoal.

O manifesto era individual e livre. Nós, alunos, poderíamos escolher o que melhor representasse o que sentíamos em relação à nós mesmos e ao que a aula nos proporcionou. Passei alguns dias pensando sobre o que fazer, porque eu não sou tão expressiva e, além disso, eu não canto, não danço bem e não sou teatral (infelizmente) - e as pessoas da minha aula são incrivelmente talentosas <3. Então, optei por fazer aquilo que eu considerava mais difícil e que estava me sufocando, optei por simplesmente falar.

Relembrando o que eu pude dizer e o sopro de alívio que senti naquele dia, compartilho aqui, o que (re)aprendi na marra nesse interminável mês de junho em três grandes marcos:

  1. A perda de um tio extremamente querido, de um jeito inesperado e trágico

Esse talvez tenha sido o momento mais difícil da minha até hoje. Senti um um vazio imenso, uma sensação de impotência e de injustiça tão grande, que pensei que ia explodir. Tive que ver coisas que eu não queria, tive que ajudar a resolver burocracias que só faziam o coração doer mais ainda, tive que ver minha família despedaçada. Foi horrível. Queria deixar registrado, por lembrança eterna, que o meu tio foi uma das melhores pessoas que conheci. Era só sorriso, trabalhava honestamente, não bebia, era apaziguador de brigar, era paizão, maridão e tiozão, vivia em paz e plenamente. Com a sua precoce partida, reaprendi à duras penas a força que carrego aqui no peito e que eu tinha esquecido que existia. Reaprendi que nunca sabemos o quanto gostamos de uma pessoa até ela ir embora. Reaprendi o valor da minha família e o valor da presença. Reaprendi a querer ser melhor, tanto quanto ele e a retomar a vontade de ser orgulho e de dar orgulho para aqueles que estão comigo o tempo inteiro.

2. A maior decepção pessoal da vida

Uma semana após o falecimento do meu tio, eu me senti sem chão e nesse momento, quando pensei que não tinha mais jeito de alguma coisa piorar, eu fui decepcionada por uma pessoa que era muito importante para mim. Senti meu coração ser partido de um jeito brusco e sem penas, me senti péssima e mais uma vez impotente. Muita dor acumulada em apenas duas semanas, duas perdas seguidas. Quem aguenta não é mesmo? O amor é bom, mas é esquisito. Cheguei a crer que ia me partir em mil pedaços, mas foi nesse momento que, de novo, reaprendi várias coisas. A minha família foi mais uma vez incrível: teve quem rezasse para que eu passasse por isso sem dor, teve quem destacasse todas as minhas qualidades e me mostrasse que eu fiz tudo o que eu podia, e teve também quem apenas me levasse para dar uma volta ou me trouxesse uns chocolates pra acalmar o coração. Foram pequenos gestos de grande conforto para alma. Devido a esse acontecimento, também reaprendi a ser feliz pela sorte que tenho de conhecer pessoas sensacionais e ter um bom bocado de amigos que voltaram a surgir de todas as partes para me ajudar e para reforçar o que minha família já vinha me falando: o meu lado bom. São eles também que têm me tirado de casa, me feito rir e me ajudado a ser cada vez mais a “Adelinda raio de sol” de antes. Quando eu ouvia algumas pessoas falarem que sentiam “#gratidão” por algo, eu não entendia. No entanto, com todos esses fatos, às vezes, quando paro um pouco para observar as pessoas que estão ao meu redor, sinto uma coisinha quente no coração e de repente me vem à cabeça “gratidããããão” hahaha. Reaprendi, então, o valor das minhas amizades.

3. A última aula real oficial

Sempre gostei muito de pessoas. Sempre achei incrível pensar que dentro de alguém existe um mundo novo e singular, cheio de histórias para conhecer. No entanto, há muito eu tinha perdido o interesse e, consequentemente, perdido o meu feeling para os sentimentos alheios. No início das aulas de “Comunicação e performance da presença” eu me sentia um pouco perdida, mas comecei a achar incrível o modo como os meus colegas de turma passaram a se apresentar: pessoas com várias histórias, com erros e acertos, e com muito para compartilhar. O maior choque para mim foi quando começaram os manifestos, pude ver o mundo daquelas pessoas sendo mostrados e, naquele momento, reaprendi a admirar e me preocupar com as pessoas. Me senti “Adélia” de novo, me sinto assim agora. Nessa última aula, depois de fazer o meu manifesto - esse que escrevo agora, e de assistir os dos meus colegas, lembrei de uma frase que conheci na primeira aula que tive no curso, uma frase que quando a ouvi há 6 anos atrás fazia todo o sentido e que há muito tinha se perdido, mas que agora voltou a visitar os meus pensamentos e que tem me dado inspiração para aprender e reaprender várias coisas nesses últimos dias: A VIDA É SONHO.

A VIDA É SONHO, e meu coração é grande e inquieto demais para deixar de ver o lado bom de tudo o que acontece. O mês de junho foi pior mês da minha vida no âmbito da tristeza e da decepção, mas foi melhor para o (re)aprendizado e para saber que eu não estou sozinha. A VIDA É SONHO e vou sempre levá-la do melhor modo possível pelo meu tio, pela minha família, por todos os meus amigos e por todos aqueles que fazem os meus dias serem luz e calmaria. Eu queria deixar aqui, para vocês, a minha florzinha da “gratidããããão” hahaha e o meu mais sincero OBRIGADA! <3


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Sobre amor, lavadora e pétala de flor

Durante muitos anos vi muita gente indo embora, seja pra outra vida ou pra outro espaço físico. Vi muito namorado deixando namorada, e vice-versa; vi pais deixando filhos, vi amigos deixando seus maiores confidentes, vi passarinho saindo de gaiola e vi muita criança arrumando mala e fingindo que ia fugir de casa. Em compensação, também vi muitas voltas.

Dizem que ''o quê os olhos não vêem, o coração não sente'', eita ditado lascado! Queria dizer que aqui pros meus lados isso não funciona. Meu coração é esquisito e, mesmo não vendo, se sente aflito. A dor começa lá no fundo e de algum modo sobe pelas veias e rodeia a cabeça, desce no estômago e causa aquela sensação horrível de ter uma lavadora dentro da barriga, revirando tudo o que tem direto. Não é fácil pra quem fica, apesar de ser o certo e de eu ter feito isso novamente, não fácil deixar quem você gosta ir embora.

Confesso que já tive umas paixonites aí na vida. Pensando melhor agora, acho que a vida inteira, desde menina, nunca tive traços de uma pessoa que futuramente ficaria com muitas pessoas ou fosse conseguir ser desapegada. Sempre tive paixões longas, mas que nunca resultaram em nada sério. Os meus sentimentos sempre tiveram prazo de validade, determinado pela pessoa, que quando encontrava outro indivíduo que era mais tampa da panela, apenas me deixava com os resquícios do que era pra ser - algumas coisas nunca mudam.

Meu primeiro amor surgiu quando eu ainda era muito pequena, ele tinha cabelos claros e os olhos de um verde folha. Andávamos juntos, estudávamos na mesma escola e brincávamos de escalar a porta, eu era mais ágil, ele era muito magro, mas me lembro de sentir muitas saudades quando me mudaram de escola e eu nunca mais o vi. Então cresci. Me lembro, então, de um tal de "Tony", da escola seguinte, eu devia ter uns seis anos. A imagem cravada na minha memória é de um menino um tanto quanto animado, no sentido de desenhado, e acho que teria medo de revê-lo hoje.Tony me lembrava os vilões do cartoon network.

As mudanças sempre fizeram parte da minha vida, outra conclusão que entendo agora, quando estava aqui, feliz,  sempre me mandavam para lá, e assim foi quando meus pais resolveram que era hora de retornar ao interior. Me apaixonei pelo menino mais velho da minha rua. Ele era magro, loiro e um tanto quanto ríspido. Ele sabia que eu gostava dele e, por esse motivo, me esnobava - daquele jeito de menino novo, quando pensa que sabe das coisas-, eu já tinha uns dez ou onze anos. Gostei dele por uns três anos e então mudei de escola novamente. Eu o esqueci depois de muito custo e algum tempo depois ele voltou, mas a parte do "mau me quer" já aparecia na flor que eu segurava na mão. O tempo passou muito rápido, nessa altura eu já chorava em sala de aula, infeliz com minha aparência. Quando percebi, já estava no oitavo ano, e perdidamente apaixonada pelo menino mais popular da escola, que tinha sua própria banda(uau!) e que todas as meninas almejavam. Ele me quis, mas também quis minhas amigas, fui enganada e trocada. Entendi que era paixão boba depois que consegui perdoar minhas amigas, mas fiquei uns três anos ruminando as músicas do Tianastácia. Ele também voltou em uma festa de quinze anos e algum tempo depois por meio de comentários com amigos, mas eu já não gostava muito do jeito que ele balançava a cabeça quando tocava guitarra. A vida é engraçada.

É válido ressaltar que todas as vezes que gostei de alguém, a pessoa era relacionada com alguma banda ou algum esporte, e juro, foi sempre sem querer, mas eu realmente gosto das duas coisas, e isso acabava aumentando os pontos dessas pessoas e os motivos para manter o meu "bem querer". Foi então que voltei para a capital de Minas, passei no vestibular, fui para meus rocks e conheci o skatista "da minha vida". Já tinha passado por todas essas experiências, em certa medida, traumáticas, de gostar de poucas pessoas, mas por um longo tempo, e ainda fiquei um ano xonadinha por ele. Veio o skate, mas junto veio também um terremoto. Acho que quando crescemos, ficamos mais bobo para certas coisas. No meu caso, esse é o meu "ponto idiota" da vida. 365 dias pensando que ''amava'' uma pessoa que eu acreditava ser a ideal, simples e puramente por ter características físicas que me agradavam. Fui forte e depois de tanto sofrimento e de ter perdido, ridiculamente, parte da minha personalidade e auto-estima, consegui por um ponto final na história. Não era amor, era ci-ci-la-da.

Mas como você bem deve saber, coração dilacerado não nega remédio pra ferida. Então fui pra praia, em pleno carnaval, e acredito que devido ao tamanho da minha decepção, me "apaixonei" pela pessoa mais avessa do mundo. Carioca da gema, bombado, sem camisa e cheio dos XXXxxxxX nas palavras, o coração era bom, mas o sentimento era passageiro, e disso eu bem sei. Deixei que ele alimentasse meu ''sentimento'' por uns seis meses, mas também consegui me livrar da sensação de estar gostando mais rápido do que eu imaginava, não sofri. Não era paixão, não era nada. Ele sumiu, mas agora voltou, como as outras pessoas também voltaram.

Fiquei um bom tempo de coração livre, andando por aí, soltando os coretos nas baladas, mas cansei. Sentei um dia em uma praça e entendi que o que eu sempre quis na vida toda era ter alguém, mas naquela altura eu já não tinha muita fé. Na verdade, eu só tinha esperança de conseguir meu ingresso pro show do Paul, pra eu poder cantar um "hey jude, don't be afraid!(...) na na nan na na naaaaaaa". Foi aí que aconteceu a coisa estranha: conheci a melhor pessoa em dia comum, num sol bem bonito e depois de chorar mil vezes por um preço que já era justo. Eu poderia descrever cada detalhe daquele instante aqui, mas sabe quando eu disse lá em cima da dor que começa no fundinho do peito? Pois é. Só posso escrever aqui que tive um sentimento muito bom, que nem sei como nomear ou descrever. Durante uns 8 meses, me senti muito bem mesmo e muito segura, consegui juntar os  caquinho do terremoto e montar tudo de novo. Ainda estou bem, apesar de uma parte estar meio chateada, pois quem dava vida, sentido e forma pra esse sentimento sensacional que eu senti...#partiu. Porém, apesar da angustia, vendo todas essas partidas e todas essas voltas, pela primeira vez eu fico torcendo fervorosamente para que de fato haja uma volta boa e sem a existência da frase "tarde demais". Mas esse querer, ao mesmo tempo que me deixa animada, me faz ter um medo gigante, o qual preenche todo o meu corpo só de pensar nos próximos dias inteiros que compõem o ano, sem falar na incerteza, que assola minhas prévias de sono.

Gostaria voltar a opção de eu mesma poder mudar. Sim, mudar de lugar, de casa, de estado, de país ou de qualquer coisa, como aconteceu tantas vezes durante esses meus vinte e dois anos. Sinto que esse é um dos pontos mais difíceis que devo lidar nesse ano - o qual almejo melhorar minha vida em diversos âmbitos. Não tenho sofrido, mas as vezes sinto a dorzinha espetando.Existem coisas que só a gente pode fazer, mas em compensação, em algumas outras, infelizmente, só o tempo que consegue ajeitar. Portanto, entendo que além de escrever, o que posso fazer agora é esperar que a dor se transforme em força, a lavadora pare de funcionar e que a última pétala da minha flor seja de "bem me quer", ao menos dessa vez.

Me sinto uma idiota ao escrever tudo isso, mas me sinto bem melhor também.

sábado, 1 de junho de 2013

Hoje é dia de Maria.

Já li diversas descrições para o nome de Maria. Maria pode ser mãe de Jesus. Maria pode ser o apelido nada carinhoso da torcida de um time. Maria pode ser minha avó ou minha tia ou minha mãe, mas no caso, ela é minha amiga. Amiga que em algumas situações é isso e aquilo, é avó, é irmã, é mãe e é tia.

Maria não sabe, mas talvez eu nunca tenha visto alguém com tanta força na vida. Acorda cedo, corta um dobrado, mas faz tudo bem feito e, mesmo tendo alguns dias ruins, leva um sorriso gigante no rosto. 

A casa de Maria é arrumada, a sua comida é bem temperada e ela tem uma sutileza imensurável para colocar as coisas no lugar, para dar conselhos e para acalmar uma tempestade. Raramente vi Maria dizer  não para um amigo ou guardar raiva de alguém, mas Maria não é boba, ela é defensora das causas nobres e da boa fé. Até onde sei, Maria é sincera do início ao fim.

Se quer um conselho, seja amigo de Maria. 

Maria nunca vai te abandonar, ela sempre vai te ajudar de alguma forma. Maria vai fazer o caso mais simples, se tornar o caso mais engraçado do mundo - e acredite, isso é um dom. Maria não vai te machucar ou te causar danos profundos. Maria vai te aceitar do jeito que você é, e sempre vai te lembrar de não esquecer o que você gosta de ser. 

Maria é doce. Maria é engraçada. Maria é serena. Maria é a típica pessoa que você consegue ver de longe, que tem um brilho distinto. Maria é aquele ser humano que você simplesmente sabe que nasceu pra dar certo. Para Maria a existência não é suficiente, não é bastante passar pela vida, não é satisfatório dias na monotonia. Maria precisa de viver e tem pressa. Maria é a vida dela, e ela nem sabe disso.

Tenho orgulho de conhecer Maria. Tenho a honra de ser amiga de Maria. 

Maria, acredito em você.
Maiga, isso é você!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Então deixa..

Deixa eu sonhar de novo. De sonho sereno a sonho manhoso. Deixa eu subir na mangueira, pegar um punhado de terra e tomar um banho de chuva corriqueira. Deixa eu amar de novo, imaginar de novo, enxergar de novo. Ver de olhos fechados, sonhar com eles abertos. Deixa eu explicar pessoas. De entender e de amolecer. Deixa o sentimento bater de novo. Do amarelo felicidade ao vermelho coração. Deixa eu respirar essência e inspirar compreensão. De gente, de paixão. Então me deixa, e deixa você.